21 Fevereiro 2017 • 
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Hortas comunitárias em Portugal

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As Hortas comunitárias são espaços de convívio, de lazer e  aprendizagem, com uma forte componente sócio-cultural, que potenciam o aumento da qualidade de vida dos seus utilizadores.


Habitualmente implementadas em terrenos autárquicos disponibilizados aos munícipes, as Hortas Comunitárias são parte integrante das estruturas ecológicas locais. Localizadas em parques e espaços verdes de lazer, trazem uma nova utilização ao espaço público, e promovem ainda o convívio entre as diferentes gerações.


Os terrenos, geralmente inseridos em espaços verdes de lazer, são divididos em talhões e equipados com abrigos de ferramentas, caixas de compostagem e pontos de água.


Normalmente é ainda dada aos horticultores formação, prática e teórica, sobre agricultura sustentável e sobre as normas de convivência nos espaços comuns das hortas.


A utilização destes espaços requerem o cumprimento das regras estabelecidas, ou seja, das utilizações correctas dos recursos, uma convivência sã entre horticultores, bem como, o cumprimento das técnicas de uma agricultura sustentável e livre de químicos.


Recentemente, a ZERO - ASSOCIAÇÃO SISTEMA TERRESTRE SUSTENTÁVEL, divulgou o resultado do 1º inquérito nacional realizado para conhecer melhor esta realidade.


Pode ver aqui as algumas fotos da horta comunitária do Funchal presentes no portfólio da Toscca.


Aqui ficam os principais dados do referido inquérito


Municípios com mais espaço dedicado a Hortas Comunitárias:


1

No que respeita à área distribuída por cada um dos hortelões, a média atribuída por talhão é de cerca de 89 metros quadrados, sendo que a área máxima ronda os 313 metros quadrados e a mínima apenas os 20 metros quadrados.


2

Analisando qual a taxa de ocupação dos talhões nas hortas comunitárias, constata-se que, nos 59 municípios que disponibilizam talhões, 58% dos mesmos encontram-se totalmente ocupados. Olhando para o número de utilizadores nas hortas comunitárias, estão registados 3706 hortelões, correspondendo a uma taxa de ocupação de 73%, para um máximo possível de 5060 utilizadores.


3

Existem 26 municípios com uma taxa de ocupação de 100% e apenas 7 municípios apresentam uma taxa de ocupação inferior a 50%.


4

Analisando o modo de produção que é implementado nas hortas comunitárias, constata-se que em 58% dos casos, embora a produção não seja certificada, são aplicados os princípios do Modo de Produção Biológico. Um outro aspecto importante é que a compostagem dos resíduos que é promovida em 95% das situações, o que denota a preferência dos hortelões por fertilizantes orgânicos, acessíveis, baratos e mais sustentáveis, em detrimento de fertilizantes inorgânicos.


5

Quanto ao destino dos alimentos produzidos em cada Município, 74% vai para consumo dos hortelões e das suas famílias, enquanto os excedentes ? ¼ do total da produção ? são distribuídos pela comunidade local ou por instituições de solidariedade social.


6

Publicação original em https://zero.ong/1o-inquerito-nacional-foi-efetuado-pela-zero-59-municipios-com-hortas-comunitarias/

Participaram no inquérito 135 Municípios portugueses, incluindo os das Regiões Autónomas dos Açores e da Madeira, tendo 59 indicado que possuíam hortas comunitárias, ocupando uma área total de 69 hectares disponibilizados em talhões aos seus cidadãos para que aí produzam alimentos. Mas 77% dos Municípios que declararam não possuírem hortas comunitárias no seu território manifestaram interesse em investirem numa, ou em mais que uma, horta comunitária.

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